A escrita dos números

A escrita dos númeors

A escrita dos números é algo ao qual normalmente não damos muita atenção. A ortografia portuguesa não apresenta regras específicas para a escrita dos números, ficando dependendo do estilo de escrita do/a autor/a do texto ou da decisão das organizações (é o caso, por exemplo, dos livros de estilo dos órgãos de comunicação social). O importante é que as opções sejam respeitadas em todo o texto. Ou seja, não devemos escrever umas vezes «5» e outras «cinco».

Embora não existam regras estabelecidas, há, no entanto, algumas recomendações sobre esta matéria. Neste artigo, apresento-vos alguns desses conselhos:

 

AS REGRAS

1 – Os números cardinais de zero a nove devem ser escritos por extenso.  Escreva «três casas» e não «3 casas»;

 

 

2 – Os números ordinais do primeiro ao décimo também devem ser escritos por extenso. Escreva «O Bernardo ficou em primeiro lugar» e não «O Bernardo ficou em 1.º lugar»;

 

3 – As fracções seguem a mesma regra dos dois pontos anteriores. Escreva «um terço» e não «1/3»;

 

 

4 – A partir do número 10 000, separe os algarismos com um espaço em branco e não com um ponto. Escreva «20 345» e não «20.345»;

 

 

5 – Quando os últimos cinco ou seis dígitos forem zero, devem ser substituídos por uma palavra. Em vez de 3 000 000, escreva 3 milhões; em vez de 160 000 000, escreva 160 milhões;

 

 

6 – Os decimais devem ser escritos em numeral. Escreva «0,50» e não «zero vírgula cinquenta»;

 

 

7 – Os números devem ter, no máximo, duas decimais. Escreva «0,40» e não «0,40379»;

 

 

8 – Não comece uma frase com um algarismo, mas com um cardinal. Escreva «Cinco anos depois, a equipa venceu o campeonato» e não «5 anos depois, a equipa venceu o campeonato»;

 

 

9 – Bilião ou mil milhões? Este é um erro muito comum cometido, inclusive, por jornalistas. O bilião utilizado nos Estados Unidos da América e no Brasil corresponde a mil milhões em Portugal. O trilião é que equivale ao nosso bilião.

 

Regras para a escrita de números

AS EXCEPÇÕES

1 – Não devem ser escritos por extenso os números cardinais de 0 a 9 referentes a:

  • unidades de medida (1 metro), de peso (5 quilos), de área (9 metros quadrados), de volume (2 decímetros cúbicos) e de capacidade (3 litros);
  • idade (1 ano), horas (1 hora), datas (1 de Janeiro), número das páginas (pág. 1);
  • percentagens (1%), valores monetários (1 €), proporções (1/10);
  • temperatura (30º), latitude e longitude (2 graus de latitude e 9 graus de longitude) e sequências (capítulo 2, modelo 4);
  • os resultados eleitorais e desportivos e as operações matemáticas também não são escritos por extenso;

 

2 – A regra anterior também se aplica às seriações e à numeração dos artigos de diplomas legais: 1.º Congresso Nacional, 2.º Encontro Internacional, etc.; e Artigo 4.º da Lei do arrendamento, parágrafo 5.º do artigo 3.º do Código Civil, etc.;

 

 

3 – Os números superiores a 10 só devem ser escritos por extenso quando estão no início das frases ou dos títulos. Ex: Trinta e cinco casas arderam ontem em Lisboa;

 

4 – Se existirem números superiores e inferiores a 10 na mesma frase, todos deverão ser escritos em algarismo. Ex.: O inquérito revelou que 3 em cada 20 mulheres confessaram ter dificuldades em adormecer antes da uma da manhã;

 

5 – Não inicie frases com números muito extensos. Remeta-os para o meio ou fim da frase. Em vez de escrever «35 467 mulheres responderam ao inquérito», escreva «O inquérito foi respondido por 35 467 mulheres»;

 

6Os números de porta e de andar não devem ser escritos por extenso. Escreva «Ela mora no 2.º direito do n.º 4» e não «Ela mora no segundo direito do número quatro»;

 

 

7 – Usam-se sempre algarismos em esquemas, gráficos, ilustrações, quadros e tabelas.