Já escreveu os seus desejos para o novo ano?

Resoluções de Ano Novo

O ritual repete-se todos os anos. À meia-noite de 31 de Dezembro, comemos uvas-passas ao som das 12 badaladas e formulamos outros tantos desejos para o novo ano.

Esta é uma forma de entrar no novo mundo com uma atitude positiva e objectivos bem definidos. Mas será a simples formulação suficiente para que os nossos desejos se concretizem?

Revisite o ano de 2021 (foi um ano atípico, é verdade, mas recorde-o): quantas das promessas feitas durante a passagem de ano cumpriu integralmente? Uma? Duas? Nenhuma?

Começo eu: defini mentalmente objectivos tão generalistas, que me recordo apenas vagamente de quais foram. Por isso, não consegui concretizar plenamente nenhum. Resta-me o consolo de saber que não fui a única e que, neste início de ano, tenho uma nova oportunidade.

Segundo Peter Economy, 25% das pessoas desiste de cumprir os seus desejos de Ano Novo na primeira semana e 60% nos primeiros seis meses. Ou seja, só uma minoria persegue as suas metas até ao fim.

Se faz parte, como eu, do grupo de pessoas que rapidamente esquece os objectivos traçados no final do ano, não desanime. Há uma forma muito fácil de manter o foco: escrever as suas resoluções. Acredite: escrever é essencial para o seu sucesso.

De acordo com perito em liderança Mark Murphy, quem regista por escrito as suas metas tem entre 1,2 a 1,4 mais possibilidades de as alcançar do que quem não o faz. Infelizmente, segundo ele, apenas 20% das pessoas costumam fazê-lo.

A explicação é simples: escrever (sobretudo à mão) ajuda o cérebro a lembrar-se mais facilmente dos objectivos. Além disso, ao escrevermos, temos uma melhor percepção das metas que estamos a definir e iremos estar mais focados na sua concretização. 

 

Desejos de Ano Novo

Cinco dicas para definir as resoluções de Ano Novo

Escrever é importante, mas há que saber o que escrever. Para que não corra o risco de se sentir frustrado e desmotivado, há que definir metas específicas, realísticas, mensuráveis e definidas no tempo. Isto não significa que ao longo do ano a lista de resoluções não possa sofrer alguns ajustes. Ou  concluir que um ou outro objectivo deixou de fazer sentido. É perfeitamente normal e não se sinta culpado se decidir abandoná-lo(s).

Se não sabe como definir os seus objectivos para o ano que agora começou, preste atenção a estas cinco dicas:

 

1 – PORQUÊ ESTAS RESOLUÇÕES?

Esta é a pergunta que deve colocar-se em primeiro lugar: porquê estas metas e não outras? O que pretende alcançar com elas? Como se vai sentir quando as atingir? Se tem dúvidas quanto aos porquês, talvez o melhor seja não escrever essa resolução. Pelo menos, por agora. Não escreva uma lista muito longa. É preferível tomar poucas resoluções do que muitas, sabendo de antemão que não conseguirá concretizá-las todas.

Se tiver metas muito ambiciosas, irá sentir-se ansioso e mais rapidamente desistirá de trabalhar para os seus objectivos. Lembre-se que é importante deixar alguma margem para os imprevistos. Nós não controlamos tudo na vida. Eu, por exemplo, defini como uma das minhas metas publicar dois vídeos por mês no meu canal de YouTube porque sei que, neste momento, não tenho capacidade para publicar mais.

 

2 – DEFINA METAS CONCRETAS

Estabelecer objectivos generalistas é meio caminho andado para os esquecer rapidamente. Sei-o por experiência própria. Por isso, em vez de «Emagrecer», escreva «perder 10 quilos até Junho»; em vez de «poupar dinheiro», escreva «poupar 300 euros até Junho». Ajuda também planear a forma como pretende alcançar essa meta. Se, por exemplo, faz anos em Junho e pretende comprar para si um novo telemóvel no valor de 300 euros, escreva «colocar de parte 5 euros por mês».

 

3 – ESTABELEÇA PRAZOS REALISTAS

Deve planear a realização das suas metas de forma realística. Se um dos seus objectivos é deixar de fumar, não abandone os cigarros já amanhã. É preferível ir reduzindo gradualmente o número diário de cigarros consumidos. Segundo o psicólogo americano John C. Norcross, autor de Changeology: 5 Steps to Realizing Your Goals and Resolutions, são necessários três meses para que uma mudança se torne parte da nossa rotina. Há que dar tempo ao tempo.

 

4 – REVISITE REGULARMENTE A LISTA

Não basta escrever as suas resoluções. É preciso que trabalhe todos os dias (ou alguns dias por semana) em prol das suas metas. Se estabeleceu que vai perder 10 quilos até Junho, não vai começar a fazer exercício físico e a adoptar uma dieta alimentar mais saudável no final de Maio, certo? Revisitar regularmente a lista de resoluções ajuda-o a perceber se o plano que traçou é o melhor para as concretizar ou se é necessário ajustá-lo.

 

5 – CELEBRE

Assim que cumprir uma das resoluções, risque-a da lista, celebre e recompense-se. É muito importante assinalarmos as nossas conquistas por mais pequenas que sejam. Elas ajudam-nos a manter a esperança e o foco nas metas que ainda não foram alcançadas. Eliminar as que já foram alcançadas libertam espaço psicológico para concentrarmos a atenção e os recursos naquelas que ainda estão por cumprir.

Feliz Ano Novo!

Como descobrir estórias misteriosas

Grandes Mistérios da História de Portugal

Uma das perguntas que me mais me colocaram no ano passado quando publiquei o livro Grandes Mistérios da História de Portugal prendeu-se com o processo de descoberta dos 14 episódios ali narrados. Provavelmente essa mesma questão ser-me-á colocada quando lançar o próximo livro (se tudo correr bem, este verão) com mais estórias curiosas, misteriosas, bizarras da história do nosso país. Para quem não tem prática na investigação (histórica ou jornalística), este poderá ser um verdadeiro mistério.

Não há qualquer segredo, mas também não há uma fórmula, muito menos mágica. O processo de investigação depende de múltiplos factores, alguns dos quais não controlamos, e não é linear. O plano que eventualmente tracemos inicialmente nem sempre será cumprido, e isso não é obrigatoriamente mau. Antes de iniciar a investigação para o Grandes Mistérios da História de Portugal, elaborei uma lista com episódios que queria explorar. À medida que fui analisando as fontes disponíveis, algumas foram abandonadas e outras acrescentadas.

Devemos ter consciência de que nem sempre será possível escavar uma estória tão a fundo quanto desejávamos. Por não existirem fontes suficientes que a sustentem ou por a estória em si se esgotar em poucas páginas. Quando isto acontece, podemos reler o texto e perceber que aspectos da estória podem ainda ser explorados, e revisitar as fontes. Numa primeira leitura, poder-nos-ão escapar informações que, embora não fundamentais, podem ajudar a compor melhor o texto. Ou, então, contextualizar a época histórica em que a estória ocorreu.

Algumas dicas

Não havendo uma fórmula mágica para descobrir histórias misteriosas, da minha prática, julgo importante conjugarem-se três condições para levar esta tarefa a bom porto:

1 – Gostar muito (mas mesmo muito) do trabalho de investigação

Quando gostamos muito de algo, parece que tudo corre melhor, e que os contratempos que naturalmente vão surgir são mais facilmente ultrapassados. Investigar obriga-nos a passar muitas horas (muitos dias, semanas, meses) em arquivos e bibliotecas, e nem todos são locais agradáveis, e nem todos têm horários de funcionamento ajustados ao ritmo que queremos imprimir ao nosso trabalho. Felizmente, hoje, há muitos arquivos digitais, e há que não descurar a procura de fontes em arquivos internacionais (vai surpreender-se com o que encontrará). Investigar pode ser um trabalho solitário (mesmo quando se está a trabalhar em equipa), e que nos obriga a investir tempo também a reflectir. Gostar (mesmo muito) deste trabalho é essencial para que tudo corra bem;

2 – Ter foco, mas não muito apertado

Ter bem definido aquilo que queremos encontrar é muito importante. Ter isso sempre presente quando analisamos as fontes, também. Tanto para o Grandes Mistérios da História de Portugal como para o livro que estou a escrever, utilizei fontes que já tinha consultado anteriormente. No entanto, como o meu foco era outro, estas estórias acabaram por escapar ao meu olhar. Elas sempres estiveram lá, mas eu não as vi, porque a minha atenção estava concentrada num outro assunto. O foco é essencial, mas não deve ser tão apertado que não nos permita ver o que se passa à volta. Por vezes encontramos outras estórias interessantes que poderão ser aproveitados para outros projectos. Algumas das estórias que tenho encontrado estão a ser divulgadas no jornal Faktual. Pode lê-las aqui;

3 – Uma curiosidade sem fim

Se tivermos tempo suficiente, uma vez (aparentemente) terminada a escrita da estória, devemos deixá-la repousar. Ao retomá-la (uma, duas, três semanas depois), devemos lê-la como se fosse a primeira vez e verificar se há perguntas ainda sem resposta. Ser curioso, neste caso, é muito positivo. Querer saber mais, e mais, e mais ajuda-nos a ir à procura de novas fontes, o que pode ser muito enriquecedor para o nosso trabalho. Sabe aquelas crianças que estão sempre a perguntar porquê, porquê, porquê? Devemos fazer o mesmo exercício.

Estes são, para mim, as três principais condições que devem estar reunidas para iniciar a descoberta de estórias misteriosas, curiosas e bizarras. A partir daqui, só pode correr bem.